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Óscar Monteiro vítima de violento acidente de mota na Avenida das Cantarias

Com, apenas, 38 anos, Óscar Monteiro morreu na sequência de um acidente brutal de mota ocorrido ao início da noite de ontem na Avenida da Cantarias, em Bragança.

De acordo com informações recolhidas pela Kapital do NordestE (KNE) no local do sinistro, o treinador da equipa de futebol da Associação de Estudantes Africanos de Bragança estaria com um grupo de amigos momentos antes do despiste ao volante da Yamaha R1 que acabaria por se revelar fatal.

O próprio comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança refere que “a vítima mortal saiu de uma travessa das Cantarias, bateu contra o separador central e foi projetado contra o muro do Restaurante O Tacho". Carlos Martins disse, ainda, que apesar de ter sido “transportado para o Hospital de Bragança com sinais vitais, o corpo não resistiu aos ferimentos”.

Falámos com duas testemunhas, ainda sensibilizadas por tudo aquilo que presenciaram na noite anterior, que moram bem perto do local onde ocorreu o fatídico acidente que acabaria por ceifar a vida ao principal impulsionador da cultura e identidade cabo-verdianas em Bragança e responsável do Politécnico pela inclusão dos jovens africanos que escolhem a Capital de Distrito para seguirem o sonho de concluir o ensino superior.

Estava a ver televisão, tinha as portas fechadas, foi então que ouvi o estrondo, vim cá fora e vi os colegas africanos a correr, que eles estavam ao fundo da rua na brincadeira, estavam a jogar a bola lá em baixo”, começa por contar António da Cruz Alves que diz que, enquanto o corpo embateu contra o muro, a mota foi colhida por uma viatura que descia as Cantarias, tendo sido arrastada umas dezenas de metros.

Quanto a Óscar Monteiro, diz o morador que “estiveram entre 10 a 15 minutos a tentar reanimá-lo, até à chegada do INEM, mas ele estava todo partido, o capacete completamente desfeito, aos bocadinhos, só restava a viseira”, afirma António Alves, evidenciando que “ele voou e o jipe é que levou a mota na frente e só parou lá em baixo. A mota estava toda destruída, não tinha reservatório, não tinha assento, o escape estava todo torto, não tinha a carenagem da frente, o manípulo estava todo despedaçado, não sobrou nada”.

Amadeu Ruivo acabaria por dar um saco da azeitona para colocarem o pouco que restava do motociclo. “Saí de casa para ver tudo cheio de cacos, o rapaz não o vi de perto, pois não deixavam ninguém aproximar-se, foi logo rodeado e não se podia lá chegar, mas deu para perceber que, no estado em que se encontrava, o desfecho não seria nada bom”, descreve a testemunha que diz ter saído de casa, apenas, quando sentiu “o estrondo”.

O senhor do jipe só me disse que viu a mota a vir no ar e que não viu mais ninguém”, relata Amadeu Ruivo que falou com o condutor do veículo. “É muito triste”, confidencia, mais ainda pois conhece "a família" da vítima mortal.

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KNE falou, também, com o dono do restaurante que, ontem, estava fechado. “Eu estava a chegar da aldeia, acabei de entrar em casa quando a minha esposa recebeu uma chamada e disse: vai lá em cima que houve um acidente muito grande e partiram o muro do restaurante”, relatou Anastácio Gonçalves, esta manhã, enquanto uma das suas empregadas limpava as partes do muro que ficaram espalhadas pela esplanada.

Ele bateu mesmo na parte de cima do muro. Aliás, até está aqui um buraco que, deduzo eu, deve ter sido feito com o joelho e falei, inclusive, com algumas pessoas que me disseram que a perna direita estaria partida em três ou quatro pedaços, mas o maior impacto foi mesmo aqui no muro”, revela o proprietário do restaurante O Tacho, sublinhando que da mota sobrou “pouco mais do que o esqueleto”. “Estava na expectativa que o desfecho fosse outro, mas, infelizmente… O muro arranja-se, agora a morte não há forma de a ultrapassar”, conclui o entrevistado, abalroado, também ele, pela violência do acidente.

A KNE soube, ainda, que esta manhã o corpo de Óscar Monteiro estava na morgue do Hospital de Bragança para ser autopsiado. Já nas operações de socorro estiveram envolvidos cinco bombeiros em dois veículos, a Viatura Médica de Emergência Reanimação (VMER) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e a Polícia de Segurança Pública (PSP).

Organizador de festas e encontros cabo-verdianos, Óscar Monteiro concluiu os estudos no Instituto Politécnico de Bragança, entidade para a qual trabalhava, era casado, tinha uma filha com 4 anos e esperava outra criança, já que a sua esposa está grávida de quatro mesesNetchokelly como, também, era conhecido no meio académico, estava, intimamente, ligado ao clube de futebol da Associação de Estudantes Africanos de Bragança, desempenhando, atualmente, as funções de treinador, tendo sido um dos mentores e sócio-fundador do projeto que tem somado conquistas. A morte de Óscar Monteiro deixa a comunidade africana, o Politécnico e a própria cidade de Bragança onde residia há quase duas décadas, de luto.

A Kapital do NordestE deixa as mais sentidas condolência à família de Óscar Monteiro com uma mensagem de força e esperança no futuro.

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